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Semiologia clínica · Artigo científico

Semiologia Neuropsiquiátrica do Critério A do Transtorno do Espectro Autista

Revisão narrativa e proposta de roteiro clínico da infância à vida adulta

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Blog Dr. Rafael · Artigos científicos do Instituto Neurônio e Pensamento.
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Resumo

Objetivo: organizar a investigação semiológica dos componentes A1, A2 e A3 do transtorno do espectro autista (TEA), contextualizando instrumentos de avaliação e revisando um questionário clínico pessoal. Método: revisão narrativa orientada por critérios diagnósticos, diretrizes profissionais e estudos selecionados, com consulta documental em 21 de outubro de 2026. A síntese inclui infância, adolescência e vida adulta e distingue evidência publicada de proposta clínica. Síntese: reciprocidade, comunicação não verbal e relacionamentos exigem descrição contextual, longitudinal e funcional. O ADI-R contribui com história do desenvolvimento; o SRS-2 descreve dificuldades dimensionais; o M-CHAT-R/F rastreia crianças pequenas; o Portage caracteriza repertórios do desenvolvimento infantil. Essas funções não são intercambiáveis. A revisão do questionário redistribui manifestações inespecíficas, amplia perguntas para adultos e separa busca sensorial, hiperreatividade e hiporreatividade. Conclusão: a integração clínica por componente pode tornar o registro mais explícito, mas o roteiro e o fluxograma propostos não possuem validação diagnóstica e não substituem instrumentos oficiais nem avaliação abrangente.

Palavras-chave: transtorno do espectro autista; comunicação social; diagnóstico diferencial; desenvolvimento; adultos; entrevista clínica.

Abstract

Objective: to organize the clinical assessment of autism spectrum disorder (ASD) criterion A across the lifespan and revise a personal clinical questionnaire. Methods: a narrative review of diagnostic criteria, professional guidance and selected studies, with document consultation on October 21, 2026. Synthesis: social reciprocity, nonverbal communication and relationships require contextual, developmental and functional descriptions. The ADI-R supports developmental history, the SRS-2 describes dimensional difficulties, the M-CHAT-R/F screens toddlers, and Portage characterizes childhood developmental skills. These purposes are not interchangeable. The revised questionnaire separates nonspecific associated features from core criteria and adds adult assessment prompts. Conclusion: the proposed interview and flowchart provide an explicit framework for clinical documentation. Their diagnostic performance has not been established; they should not replace official instruments or comprehensive assessment.

Keywords: autism spectrum disorder; social communication; differential diagnosis; development; adults; clinical interview.

1 INTRODUÇÃO

A avaliação do TEA depende da interpretação de comportamentos ao longo do desenvolvimento e em diferentes contextos. Descrições como “não olha nos olhos”, “tem poucos amigos” ou “prefere ficar sozinho” oferecem informação limitada quando não esclarecem a função do comportamento, suas circunstâncias e seu impacto. A finalidade da semiologia é transformar impressões gerais em evidências clínicas examináveis. (1, 2, 3)

O critério A do DSM-5 reúne reciprocidade socioemocional, comunicação não verbal utilizada na interação e desenvolvimento, manutenção e compreensão de relacionamentos. A nota técnica da American Psychiatric Association sobre o DSM-5-TR esclarece a necessidade de todos os três componentes, mantendo a intenção diagnóstica anterior. A entrevista deve, portanto, construir uma justificativa para cada componente, sem compensar a ausência de evidência em um deles com maior intensidade em outro. (1, 4)

Este artigo apresenta uma síntese aplicada e uma proposta de organização da entrevista. O foco permanece em A; a inclusão de B e dos critérios C a E no material complementar evita que uma investigação sociocomunicativa seja confundida com avaliação diagnóstica completa. O questionário pessoal previamente elaborado é tratado como material clínico a revisar, sem atribuição de propriedades psicométricas. (5)

2 MÉTODO DA REVISÃO NARRATIVA

Foi realizada revisão narrativa orientada por uma questão clínica: como descrever e investigar A1, A2 e A3 da infância à vida adulta, aproveitando os construtos abordados por instrumentos existentes sem reproduzi-los ou misturar suas finalidades? A consulta documental ocorreu em 21 de outubro de 2026, incluindo os materiais recuperados na pesquisa inicial e sua ampliação para adultos.

As buscas na web combinaram termos sobre autism spectrum disorder, DSM-5, social communication, ADI-R, SRS-2, M-CHAT-R/F, Portage, adult diagnosis e camouflaging. Foram priorizados documentos de APA, CDC, AAP, AACAP, NICE, ESCAP e sociedades japonesas, além de publicações originais sobre instrumentos e fenômenos clínicos. Páginas editoriais foram utilizadas para descrição de finalidade e população, sem inferir normas brasileiras, instruções completas de aplicação ou resultados de validação não consultados. A cobertura japonesa inclui conteúdo indexado do documento pediátrico; o arquivo integral não esteve acessível. (6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17)

Não houve protocolo prospectivo, busca exaustiva em bases bibliográficas, seleção por revisores independentes, avaliação formal do risco de viés ou metanálise. Os resultados consistem em síntese conceitual e proposta de roteiro, sem participantes, banco de dados clínicos ou estimativas novas de acurácia. A revisão do material pessoal considerou correspondência com os critérios, neutralidade das perguntas, adequação etária e separação de manifestações associadas. (5)

3 SÍNTESE SEMIOLÓGICA DO CRITÉRIO A

O critério A deve ser interpretado em múltiplos contextos, na atualidade ou pela história. O diagnóstico de TEA também requer pelo menos dois dos quatro componentes de B, início no período do desenvolvimento, repercussão funcional e julgamento das explicações alternativas. Na presença de deficiência intelectual, a dificuldade sociocomunicativa deve exceder o esperado para o nível geral de desenvolvimento. Linguagem fluente ou habilidades acadêmicas preservadas não resolvem, isoladamente, esse julgamento. (1)

Propõe-se registrar o comportamento observado, sua função provável, a situação em que ocorre, a espontaneidade, os apoios necessários, a trajetória e as consequências. “Não observado” em consulta deve permanecer diferente de “ausente”. Divergências entre informantes devem ser exploradas como diferenças de contexto ou acesso à informação, sem escolher automaticamente um relato como verdadeiro. (18)

A reciprocidade envolve iniciar, responder e sustentar trocas que considerem a contribuição do interlocutor. O examinador deve distinguir iniciativa para solicitar uma ação, iniciativa para compartilhar experiência e participação numa atividade conjunta. Uma pessoa pode procurar contato frequentemente e ainda apresentar dificuldade para incorporar o que o outro comunica. O comportamento deve ser descrito sem presumir desinteresse afetivo. (1, 3)

A investigação abrange compartilhamento de interesses e prazer, resposta às iniciativas, alternância de contribuições, adaptação do assunto e reparo de mal-entendidos. Na infância, interessa como a criança inclui alguém numa descoberta ou brincadeira. Na vida adulta, a análise pode utilizar conversas, reuniões e negociações cotidianas. O fato de responder corretamente a perguntas diretas não demonstra, por si, reciprocidade espontânea. (2, 19, 20)

Perguntas clínicas propostas: “Conte uma situação em que você procurou alguém para dividir uma experiência”; “Como percebe se a pessoa quer continuar o assunto?”; “O que acontece quando a conversa segue uma direção inesperada?”. Para cuidadores, solicitar episódios observáveis e contrastar situações com e sem mediação. Dificuldades de identificar emoções próprias devem ser registradas separadamente; não equivalem automaticamente a déficit de reciprocidade.

A2 envolve o uso e a compreensão de recursos não verbais e sua integração com outras formas de comunicação. O exame inclui gestos, expressão facial, orientação corporal e uso social do olhar. A atenção compartilhada atravessa A1 e A2: a finalidade de compartilhar contribui para a reciprocidade, enquanto a coordenação dos sinais comunicativos contribui para A2. O registro deve explicitar qual aspecto sustenta cada inferência. (1, 20)

O contato visual deve ser interpretado pela função e pelo contexto cultural, considerando visão, ansiedade e condições sensoriais. A avaliação não exige olhar fixo. Em pessoas que utilizam comunicação aumentativa e alternativa, sinais ou recursos visuais, a acessibilidade precisa preceder a interpretação do desempenho. Variações de volume e prosódia são descritas conforme sua contribuição para a mensagem, sem diagnóstico por característica vocal isolada. (2, 3, 18)

Perguntas propostas: “Como você mostra que quer participar?”; “Quais sinais do outro ajudam a perceber dúvida ou desconforto?”; “O que muda quando precisa comunicar a mesma ideia sem falar?”. Na observação, investigar como os recursos se coordenam durante uma atividade natural. Impulsividade, crises de frustração e controle inibitório não são indicadores específicos de A2 e merecem investigação própria.

A3 compreende formar e manter relações e compreender as exigências dos contextos sociais. Na infância, a observação inclui aproximação de pares e coordenação de brincadeira compartilhada, considerando nível de desenvolvimento e oportunidades. Na adolescência e vida adulta, incluem-se amizades, intimidade, relações profissionais e negociação de limites. A quantidade de amigos é menos informativa que a qualidade, a reciprocidade e as condições de manutenção dos vínculos. (1, 19, 21)

No faz de conta, o que interessa é a simbolização e a construção de uma atividade compartilhada. Brincar que uma boneca é um bebê não implica acreditar que se tornou um bebê real. Uma brincadeira individual imaginativa pode coexistir com dificuldade de negociação com pares. Rigidez na sequência pode contribuir para B2, enquanto dificuldade de coordenar perspectivas pode contribuir para A3; é necessário justificar essas classificações. (1, 20)

Perguntas propostas: “Como uma amizade começa e se mantém para você?”; “Descreva um desacordo recente e como tentaram resolvê-lo”; “O que muda na sua maneira de se comunicar entre pessoas íntimas e colegas?”. Preferências pessoais, poucas oportunidades de convivência, exclusão e experiências de discriminação precisam ser examinadas antes de atribuir uma dificuldade à pessoa.

4 AVALIAÇÃO DE ADOLESCENTES E ADULTOS

Na vida adulta, a história do desenvolvimento deve ser reconstruída com autorrelato e, quando possível e com concordância, informantes e documentos escolares. A ausência de um cuidador disponível não constitui prova de ausência de sinais precoces; também não autoriza presumir uma história não demonstrada. Convém registrar quais dados sustentam cada conclusão e quais permanecem indeterminados. (19)

A entrevista pode explorar preparação de falas, monitoramento consciente de gestos e estratégias de imitação social. O CAT-Q foi desenvolvido para investigar camuflagem em pessoas autistas e não autistas; assim, relato de camuflagem ou exaustão social não confirma TEA. A relevância clínica depende da história, dos critérios nucleares e da repercussão funcional. Estratégias aprendidas devem ser compreendidas junto às competências e aos apoios presentes. (13)

O exame do estado mental ajuda a reconhecer condições atuais que modificam a interação, incluindo ansiedade, depressão e alterações do pensamento. Uma mudança recente precisa ser confrontada com o funcionamento anterior. Trabalho, autonomia ou relacionamento afetivo não excluem necessidades de apoio; sua avaliação deve especificar as tarefas, o contexto e as adaptações utilizadas. (19)

5 CONTRIBUIÇÃO E LIMITES DOS INSTRUMENTOS

O ADI-R oferece uma entrevista com cuidadores voltada à história do desenvolvimento e a manifestações relacionadas ao autismo. Seu trabalho original está ligado a classificações anteriores ao DSM-5. A correspondência proposta com A1, A2 e A3 é conceitual; não cria algoritmo novo nem autoriza aplicar somente perguntas selecionadas com os pontos de corte do instrumento completo. (6)

O SRS-2 contempla dificuldades sociais dimensionais e comportamentos restritos e repetitivos, com formulários adequados a diferentes idades e informantes. Suas subescalas não equivalem diretamente a A1, A2 e A3. Estudo com a versão anterior SRS identificou influência de características comportamentais, de linguagem e de desenvolvimento; esse achado exige cautela e não deve ser apresentado como validação específica de cada forma atual do SRS-2. Faixas e normas da versão utilizada precisam ser verificadas no respectivo manual. (7, 8, 14)

O M-CHAT-R/F é um rastreamento em duas etapas para crianças pequenas, destinado à faixa de 16 a 30 meses. O seguimento é aplicado quando indicado pelo algoritmo oficial; subconjuntos de itens não devem receber interpretação equivalente ao instrumento integral. A presença ou ausência de rastreamento positivo não substitui avaliação clínica quando há preocupação persistente. (9, 10)

O Portage Operacionalizado caracteriza habilidades de crianças de 0 a 6 anos e pode contextualizar repertórios e planejamento de intervenção. Não estabelece diagnóstico de TEA ou normas para adultos. O registro de uma revisão sistemática do IPO complementa a identificação bibliográfica, sem fundamentar estimativas de desempenho diagnóstico. (11, 12)

A expressão “entrevista DSM-5” designa aqui o raciocínio organizado por critérios. Para instrumentos específicos, devem ser informados edição, população, tradução, formação requerida e modo de interpretação.

Quadro 1 – Integração conceitual dos instrumentos

RecursoContribuição principalLimite
ADI-RHistória sociocomunicativa e do desenvolvimentoSem conversão automática do algoritmo para A1 a A3
SRS-2Descrição dimensional por formulário e informanteEscore não equivale a diagnóstico ou nível DSM de suporte
M-CHAT-R/FRastreamento entre 16 e 30 mesesAplicação integral e seguimento conforme instruções
PortageRepertórios do desenvolvimento entre 0 e 6 anosSem uso normativo para adultos ou ponto de corte TEA
Roteiro propostoRegistro contextual por componenteSem escore total e sem validade diagnóstica estabelecida

Fonte: elaboração do autor (2026), com base nas fontes citadas nesta seção.

6 REVISÃO DO QUESTIONÁRIO CLÍNICO PESSOAL

O documento de origem abrange A1 a A3 e B1 a B4, incluindo checklist sensorial. A atualização preserva essa abrangência, mas reorganiza perguntas compostas e exemplos que poderiam induzir respostas ou confundir fenômenos nucleares com associados. Os itens reformulados são propostas clínicas originais. Não houve revisão por painel de especialistas, estudo de compreensão, análise de concordância ou avaliação de sensibilidade e especificidade. (5)

Algumas correções afetam a interpretação. A ecolalia pode assumir funções comunicativas e cognitivas, conforme descrito em estudo observacional original; por isso, repetição de fala e ausência de comunicação não devem ser tratadas como sinônimos. O estudo citado é pequeno e histórico, não demonstrando que toda repetição tem a mesma função. (15)

No módulo sensorial, busca de estímulos fica separada de reatividade reduzida. Pressão profunda, movimento frequente ou interesse por luzes não bastam para inferir hiporreatividade. Não responder ao nome exige análise da atenção, audição e situação comunicativa. Seletividade alimentar, medo, tontura, comportamento de levar objetos à boca e marcha na ponta dos pés demandam contexto e diferenciais; não são classificadores autossuficientes de TEA. (1, 2, 18)

O Apêndice A documenta as mudanças em relação ao material pessoal. O roteiro complementar inclui autorrelato adulto, dados de informantes, registro da trajetória, exemplos funcionais e síntese por critério. A decisão final admite informação indeterminada; respostas não devem ser somadas para produzir diagnóstico.

7 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E CONDIÇÕES ASSOCIADAS

A avaliação deve distinguir dificuldades sociocomunicativas ligadas ao desenvolvimento de manifestações de ansiedade, transtornos de linguagem, TDAH, deficiência intelectual, condições sensoriais e outras alterações clínicas. Na vida adulta, investigar também mudanças associadas a transtornos do humor, quadros psicóticos, experiências traumáticas e padrões de personalidade. Diferenciais podem coexistir com TEA. (3, 18, 19)

Propõe-se confrontar situações de menor exigência linguística, menor ansiedade ou maior acessibilidade com o funcionamento habitual. Esse contraste gera hipóteses; não constitui teste de exclusão. Na deficiência intelectual, a comparação utiliza o nível global de desenvolvimento. Em dificuldades pragmáticas sem evidência suficiente do domínio B na história, deve-se considerar avaliação para transtorno da comunicação social pragmática, conforme critérios aplicáveis. (1, 18)

8 FLUXOGRAMA DA AVALIAÇÃO CLÍNICA

A Figura 1 representa uma sequência conceitual de coleta e integração de evidências. O ramo de informação insuficiente orienta ampliação da investigação; o ramo de critérios não sustentados orienta documentação, diferenciais e apoio. O algoritmo não foi testado quanto à acurácia ou ao efeito sobre decisões clínicas. (1, 2, 3, 4, 10, 18, 19, 21)

Figura 1 – Investigação clínica do TEA ao longo da vida

Fonte: elaboração do autor (2026), com base em CDC, APA, AAP, AACAP, NICE e ESCAP. O atendimento das necessidades identificadas integra todos os desfechos do fluxo.

9 DISCUSSÃO

A principal contribuição da proposta é tornar explícita a passagem entre comportamento descrito e inferência por critério. Uma pergunta genérica pode misturar iniciativa, compreensão social, linguagem, ansiedade e autorregulação. A decomposição dos episódios permite identificar que aspecto necessita de avaliação adicional. Essa utilidade é uma hipótese de aplicação clínica; não foi medida neste trabalho.

As fontes internacionais não constituem um manual único. AAP e AACAP oferecem referências pediátricas e psiquiátricas americanas; NICE e ESCAP contribuem com avaliação e organização do cuidado. O conteúdo pediátrico japonês consultado descreve integração de história e observação alinhada aos critérios atuais, mas seu texto integral não esteve disponível. O material de neurologia infantil japonesa é educativo e de 2019. O parâmetro AAN/CNS de 2000 está retirado de vigência e é citado apenas como referência histórica. Não se presume endosso dessas instituições ao roteiro proposto. (2, 3, 16, 17, 18, 19, 21, 22)

A ausência de reprodução dos itens oficiais preserva a distinção entre explorar um construto e administrar um instrumento. Em uso clínico ou pesquisa, resultados de instrumentos devem identificar versão e normas utilizadas. Uma pontuação elevada pode justificar aprofundamento e descrever dificuldades; a interpretação exige história, observação e diferenciais. Não há correspondência direta entre gravidade de uma escala e níveis DSM de necessidade de suporte. (2, 7, 14)

10 LIMITAÇÕES E INVESTIGAÇÃO FUTURA

A seleção narrativa está sujeita a viés de recuperação e não permite estimar a força global da evidência. A cobertura geográfica e institucional é parcial; não houve revisão integral de todos os manuais solicitados nem consulta completa a materiais protegidos. A tradução de conteúdos estrangeiros e a reformulação clínica precisam de revisão especializada antes de publicação. O roteiro ainda carece de validade de conteúdo, estudo de compreensibilidade, viabilidade e concordância entre avaliadores.

Como desenvolvimento futuro, propõem-se entrevistas cognitivas com pessoas autistas e cuidadores, revisão multiprofissional dos itens e estudo de aplicação clínica com referência diagnóstica independente. A amostra deverá contemplar diferentes idades, níveis de linguagem, deficiência intelectual, gêneros e condições diferenciais. Esses passos são uma agenda de pesquisa e não procedimentos já realizados. Estudos com participantes e dados de saúde devem observar os requisitos éticos aplicáveis.

11 CONCLUSÃO

A investigação de A1, A2 e A3 deve integrar trajetória, função comunicativa, contextos e repercussão. Instrumentos de história, descrição dimensional, rastreamento e avaliação do desenvolvimento contribuem de maneiras diferentes. O artigo, o roteiro revisado e o fluxograma oferecem uma proposta de organização clínica da infância à vida adulta; sua utilidade e seu desempenho precisam ser avaliados antes de qualquer alegação de validação.

Referências

1 CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Clinical testing and diagnosis for autism spectrum disorder . [S. l.]: CDC, 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/autism/hcp/diagnosis/index.html . Acesso em: 21 out. 2026.

2 HYMAN, S. L.; LEVY, S. E.; MYERS, S. M. Identification, evaluation, and management of children with autism spectrum disorder. Pediatrics , [S. l.], v. 145, n. 1, e20193447, 2020. DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2019-3447 . Acesso em: 21 out. 2026.

3 VOLKMAR, F. et al. Practice parameter for the assessment and treatment of children and adolescents with autism spectrum disorder. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry , [S. l.], v. 53, n. 2, p. 237-257, 2014. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaac.2013.10.013 . Acesso em: 21 out. 2026.

4 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Autism spectrum disorder . [S. l.]: APA, 2022. Nota técnica sobre a revisão do DSM-5-TR. Disponível em: https://www.psychiatry.org/File%20Library/Psychiatrists/Practice/DSM/DSM-5-TR/APA-DSM5TR-AutismSpectrumDisorder.pdf . Acesso em: 21 out. 2026.

5 ALBUQUERQUE, R. M. de. Questionário estruturado de TEA ampliado . [S. l.: s. n.], [s. d.]. Material pessoal não publicado, fornecido para revisão.

6 LORD, C.; RUTTER, M.; LE COUTEUR, A. Autism Diagnostic Interview-Revised: a revised version of a diagnostic interview for caregivers of individuals with possible pervasive developmental disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders , [S. l.], v. 24, n. 5, p. 659-685, 1994. DOI: https://doi.org/10.1007/BF02172145 . Acesso em: 21 out. 2026.

7 ROGERS, A. K. The autistic experience across the lifespan: considerations for improved clinical practice . [S. l.]: Western Psychological Services, 2022. Apresentação técnica. Disponível em: https://pages.wpspublish.com/hubfs/ASD_wbnr_Final_4-5-22.pdf . Acesso em: 21 out. 2026.

8 HOGREFE. Social Responsiveness Scale, Second Edition (SRS-2) . [S. l.]: Hogrefe, [s. d.]. Apresentação editorial. Disponível em: https://www.hogrefe.com/it/magazine/social-responsiveness-scale-second-edition-srs-2 . Acesso em: 21 out. 2026.

9 ROBINS, D. L. et al. Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised With Follow-up (M-CHAT-R/F). Pediatrics , [S. l.], v. 133, n. 1, p. 37-45, 2014. DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2013-1813 . Acesso em: 21 out. 2026.

10 ROBINS, D. L.; FEIN, D.; BARTON, M. M-CHAT-R/F: scoring . [S. l.: s. n.], [s. d.]. Instruções e algoritmo de interpretação. Disponível em: https://www.mchatscreen.com/mchat-rf/scoring/ . Acesso em: 21 out. 2026.

11 WILLIAMS, L. C. A.; AIELLO, A. L. R. Manual do Inventário Portage Operacionalizado: avaliação do desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos . Curitiba: Juruá, 2018. Descrição editorial consultada. Disponível em: https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=27011 . Acesso em: 21 out. 2026.

12 AIELLO, A. L. R.; WILLIAMS, L. C. A. The Operationalized Portage Inventory (OPI): systematic review. Psicologia: Teoria e Pesquisa , [S. l.], v. 37, e37545, 2021. Registro bibliográfico consultado. DOI: https://doi.org/10.1590/0102.3772e37545 . Acesso em: 21 out. 2026.

13 HULL, L. et al. Development and validation of the Camouflaging Autistic Traits Questionnaire (CAT-Q). Journal of Autism and Developmental Disorders , [S. l.], v. 49, p. 819-833, 2019. DOI: https://doi.org/10.1007/s10803-018-3792-6 . Acesso em: 21 out. 2026.

14 HUS, V. et al. Factors influencing scores on the Social Responsiveness Scale. Journal of Child Psychology and Psychiatry , [S. l.], v. 54, n. 2, p. 216-224, 2013. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1469-7610.2012.02589.x . Acesso em: 21 out. 2026.

15 PRIZANT, B. M.; DUCHAN, J. F. The functions of immediate echolalia in autistic children. Journal of Speech and Hearing Disorders , [S. l.], v. 46, n. 3, p. 241-249, 1981. DOI: https://doi.org/10.1044/jshd.4603.241 . Acesso em: 21 out. 2026.

16 JAPANESE PEDIATRIC SOCIETY. 自閉スペクトラム症 (Autism Spectrum Disorder: ASD) . [S. l.]: Japanese Pediatric Society, 2026. Conteúdo indexado consultado. Disponível em: https://www.jpeds.or.jp/uploads/2026-04/20260416_GL126.pdf . Acesso em: 21 out. 2026.

17 JAPANESE SOCIETY OF CHILD NEUROLOGY. Q80: autism diagnosis . [S. l.]: Japanese Society of Child Neurology, 2019. Material educativo revisto em 1 maio 2019. Disponível em: https://www.childneuro.jp/general/6558/ . Acesso em: 21 out. 2026.

18 NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Autism spectrum disorder in under 19s: recognition, referral and diagnosis . [S. l.]: NICE, 2011. CG128. Atualização em 2017. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg128/chapter/Recommendations . Acesso em: 21 out. 2026.

19 NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Autism spectrum disorder in adults: diagnosis and management . [S. l.]: NICE, 2012. CG142. Atualização em 2021. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg142/chapter/Recommendations . Acesso em: 21 out. 2026.

20 NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. CG128: appendix: features suggesting possible autism . [S. l.]: NICE, 2011. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg128/chapter/Appendix-Features-suggesting-possible-autism . Acesso em: 21 out. 2026.

21 FUENTES, J.; HERVÁS, A.; HOWLIN, P. ESCAP practice guidance for autism: a summary of evidence-based recommendations for diagnosis and treatment. European Child & Adolescent Psychiatry , [S. l.], v. 30, p. 961-984, 2021. Publicação on-line em 2020. DOI: https://doi.org/10.1007/s00787-020-01587-4 . Acesso em: 21 out. 2026.

22 FILIPEK, P. A. et al. Practice parameter: screening and diagnosis of autism: report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology and the Child Neurology Society. Neurology , [S. l.], v. 55, n. 4, p. 468-479, 2000. Diretriz retirada de vigência. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10953176/ . Acesso em: 21 out. 2026.

APÊNDICE A – Correspondência com o questionário original

As localizações abaixo referem-se às seções e letras do material pessoal fornecido. A revisão é conceitual e editorial, sem equivalência com itens de testes padronizados. (5)

OrigemTemaAtualização
A1 aAbraçar mordendo lambendo ou apertandoSeparar aproximação social, busca sensorial, limites e autorregulação; retirar valor diagnóstico isolado.
A1 c e fSorriso e compartilhamentoInvestigar destinatário, espontaneidade, finalidade e integração à troca; compartilhar interesse não exige ceder objetos.
A1 d e iInteresse por crianças e preferência por adultosRelacionar também a A3; explorar oportunidades, afinidades, linguagem e ansiedade.
A1 eBrincar apenas do próprio jeitoDistinguir negociação social em A3 e inflexibilidade em B2.
A1 g e hExpressar e entender emoçõesDistinguir percepção de emoções, expressão, reciprocidade e dificuldade de identificar estados próprios.
A1 jImitaçãoInvestigar função social e aprendizagem; ausência de imitação isolada é inespecífica.
A2 a a gOlhar gestos prosódia e afetoPriorizar função, integração e contexto cultural; retirar exigência universal de aperto de mão e abraço.
A2 hSim ou não e controle inibitórioManter comunicação de concordância/recusa em A2; mover controle inibitório para condições associadas.
A3 b e cCondutas rudes ou evitação por ansiedadeDescrever episódios sem julgamento moral; investigar ansiedade, impulsividade e exclusão.
A3 dBoneca tornando-se bebê realReformular como representação simbólica e coordenação de papéis no faz de conta.
A3 e e fPoucos amigos e interesse pelos outrosExaminar reciprocidade, manutenção e impacto, sem ponto de corte por número de amizades.
B1 falaFala estereotipada diferente da funcionalRegistrar funções possíveis da ecolalia; retirar frases comuns como marcador isolado.
B1 objetos e movimentosExploração e movimentos repetidosDistinguir B1, B3 e B4 conforme função; não atribuir especificidade a empilhar ou andar na ponta dos pés.
B3 exemplosLetras números medos e apegoExaminar intensidade e interferência; medo não é interesse restrito por definição.
B4 modalidadesHiperreatividade e hiporreatividadeCriar campo separado para busca sensorial e hipóteses alternativas; não inferir mecanismo por comportamento único.
Novos módulosAdultos critérios C a E e sínteseAcrescentar história retrospectiva, trabalho, intimidade, acessibilidade, diferenciais e grau de certeza.

Fonte: elaboração do autor (2026), a partir do questionário pessoal fornecido para revisão.

Informação educativa: este artigo expressa uma revisão científica e proposta clínica do autor. Não substitui avaliação, diagnóstico, prescrição, acompanhamento individualizado nem protocolos oficiais de instrumentos diagnósticos.

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